segunda-feira, 21 de maio de 2018

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♦ Sasha Velour, ganhadora da 9ª temporada de RuPaul's Drag Race é, além de outras coisas, designer, e tem uma revista incrível sobre drag junto com o namorado. Vi hoje apenas que eles disponibilizaram gratuitamente as três primeiras issues no site oficial, The Drag Magazine, por tempo limitado - então corre lá pra ver esse trabalho incrível antes que tirem do ar.

♦ Vocês sabiam que Three Billboards Outside Ebbing, Missouri foi inspirado em um caso real que não teve solução até hoje?

♦ Tem mais ou menos 84 anos que desejo um Adidas Superstar e aparentemente encontrei um na promoção - acho que pagar mais de R$200 em um tênis casual totalmente sem necessidade, mas achei um por pouca coisa mais que isso e tô aqui pensando na minha vida e nas minhas escolhas. Vamos ver o que vai dar. Também vi um Gazelle lindo na promoção mas já não tem mais meu tamanho :( fuén.

♦ Estou VICIADA em BROCKHAMPTON. OUÇAM BROCKHAMPTON.

♦ A Gisele Eberspächer é uma das minhas youtubers preferidas, e ela fez um vídeo super bacana com uma espécie de "introdução" à ficção científica como gênero literário - e, sendo um dos meus preferidos, amei o vídeo dela.

♦ Ainda em sci-fi, em abril o filme de 2001: A Space Odyssey completou 50 aninhos em abril, e entre outras trocentas matérias saiu essa lindona no The Guardian, com gente da indústria do cinema e gente que trabalhou na produção comentando sobre a importância do filme pra elas - e as fotos do post estão incríveis. Meu sonho era ver esse filme restaurado no cinema, como fizeram exibição em Cannes. Cês têm fé que meu post vai sair né? Não desistam de mim.

♦ Recentemente li Confissões do Crematório e assisti uns 70% dos vídeos do canal da Caitlin, e agora minha vida e meu (pouco) tempo livro se resume a ler os artigos e procurar os livros que ela cita como referências no site da The Order of the Good Death.

Rammstein está oficialmente em estúdio. ♥️

domingo, 15 de abril de 2018

Filmes de 2018 - I

Vou tentar ir fazendo esse tipo de post - com resuminho e minhas impressões sobre os filmes que for vendo esse ano. Pensei em fazer por mês, mas acho melhor concentrar nessa quantidade fixa, e ir fazendo conforme for vendo. E não vou colocar aqui os que reassisti, já que geralmente filmes que revejo são preferidos e sou tendenciosa quando falando sobre eles, hahaha.

Nesse primeiro post, vocês vão ver que a maioria foi dos principais indicados ao Oscar desse ano. Consegui assistir a quase todos os que planejava, diferentemente dos anos passados. E, mesmo com algumas coisas que não me agradaram, gostei demais da cerimônia desse ano e dos vencedores.


1. Três Anúncios Para Um Crime
[Three Billboards Outside Ebbing, Missouri; Dir. Martin McDonagh - 2017]


De longe, meu preferido da temporada de premiações, e também foi o primeiro filme que vi esse ano.
A história acompanha uma mulher, interpretada brilhantemente por Francis McDormand, que paga para colocarem três billboards na cidade em que ela vive cobrando a solução do assassinato de sua filha, que aconteceu há mais de um ano e ainda não culpou ninguém. A repercussão que isso causa na cidade e entre as pessoas é o foco principal - ainda que as pitadas de humor características do McDonagh tirem um pouco da tensão de todo o caso. Roteiro incrível, com atuações brilhantes - me fez pensar no quão incrível seria assistir a uma montagem em teatro desse filme. E inclusive, reassisti ao meu fave In Bruges logo depois de ver esse, de tanta saudade do trabalho do McDonagh, haha.

2. Eu, Tonya
[I, Tonya; Dir. Craig Gillespie - 2017]


Mesmo achando, assim que terminei de ver o filme, que não teria grandes chances nas principais premiações, gostei demais desse filme e acho uma pena as pessoas não estarem falando mais sobre ele num geral, ao invés apenas do destaque (merecido) pra atuação da Margot Robbie e da Allison Janney.
Eu não conhecia a história da Tonya Harding, patinadora americana que desafiou a tudo e a todos para provar seu valor em um meio esportivo tão elitista. Como estamos vendo o ponto de vista da própria Tonya, obviamente somos conduzidos a aceitar o lado dela de toda a história. Mas talvez escolher a verdade dos fatos não seja o objetivo principal. Filme divertidíssimo - mesmo com momentos bem pesados.

3. Me Chame Pelo Seu Nome
[Call Me By Your Name; Dir. Luca Guadagnino - 2017]


NÃO É UM FILME É UM HINO.
Meu outro preferido dessa temporada de premiações. Um coming of age super clássico e ambientado em meados dos anos 80, conta a história de um rapaz cuja família recebe um acadêmico americano para passar um verão com eles em sua casa, no interior da Itália, e ajudar seu pai em pesquisas. Foi inspirado em um livro de mesmo nome, que já devorei e é tão lindo quanto.
Não sei o que falar que ainda não foi dito sobre esse filme, e me faltam palavras pra expressar o quanto essa história tocou meu coração, o quão lindo é tudo nesse filme e o tamanho do cuidado que é aparente em cada momento, cada diálogo e cada imagem colocada em tela. Ficou comigo a vontade de morar no filme, como há muito tempo não acontecia.

domingo, 11 de março de 2018

Sempre Vivemos no Castelo

Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance. Volta e meia penso que se tivesse sorte teria nascido lobisomem, porque os dois dedos médios das minhas mãos são do mesmo tamanho, mas tenho de me contentar com o que tenho. Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu.


Assim começa Sempre Vivemos no Castelo, último livro da escritora americana Shirley Jackson. Publicado originalmente em 1962, três anos antes da morte da autora, muitos consideram essa sua obra prima, e é citado como inspiração para autores como Neil Gaiman e Donna Tartt.

Seis anos antes do início da história, os pais, um irmão e uma tia de Mary Katherine (ou Merricat) foram assassinados durante um jantar, quando alguém colocou arsênico no açúcar da família. Além de Merricat (que estava de castigo e não participou do jantar), só ficaram vivos sua irmã mais velha Constance, que não come açúcar, e o tio das meninas, Julian, que consumiu uma quantidade pequena do açúcar envenenado e sobreviveu com sequelas. Como Constance exibe traços de uma fortíssima fobia social e Julian ficou debilitado, é Merricat quem vai semanalmente até a cidade fazer as comprar para a casa. Através das palavras e atitudes das pessoas que Merricat encontra no caminho, vemos uma hostilização dela e dos membros restantes de sua família, o que os torna cada vez mais reclusos e justifica esse comportamento.

Isso é que posso contar da história sem maiores detalhes, e foi assim que mergulhei nessa leitura - sabendo pouquíssimo sobre esse livro, e creio que foi a melhor forma possível. Ainda mais que os acontecimentos, a forma com a qual a narrativa é construída foi minha coisa preferida. Como é através dos olhos e do fluxo de pensamento de Merricat que acompanhamos a história, ela se revela a maior das narradoras não confiáveis, cheia de humor negro, nos contando apenas o que ela quer que saibamos e no momento em que ela quer cada revelação.


Os pensamentos dela, inclusive, são um detalhe à parte na história. Merricat, além de traços de mania que me fizeram pensar em uma pessoa com transtorno obsessivo-compulsivo (mesmo isso não sendo claramente especificado no livro), tem momentos em que de deixa levar por pensamentos fantasiosos que são uma espécie de mecanismo de defesa - seja pelo isolamento, ou pelo medo do que ainda pode acontecer à sua família. Ela se culpa quando as coisas saem da rotina pelo fato de algum de seus rituais ter sido quebrado. Em muitos momentos tive que voltar páginas ou passagens quando percebia que era o pensamento e imaginação dela, e não a narrativa linear acontecendo.

Além de toda essa característica psicológica da história, me apaixonei pela ambientação, pela casa, e pela atmosfera que o livro conjura. Existe um clima soturno, de obsessão, e a sensação constante de que tem algo errado durante toda a narrativa, mas ainda assim, como estamos vendo tudo pela mente de Merricat, existe um conforto nesse isolamento e nessa rotina.

Sempre Vivemos no Castelo se transformou esse em um dos meus suspenses preferidos, ainda que a revelação da verdade sobre o que aconteceu no jantar não seja, pra mim, o foco principal do livro (e nem um mistério tão grande assim). Leitura incrível e super recomendada. Já quero ler tudo o que a Shirley Jackson já escreveu, e acho uma pena eu ter demorado tanto pra conhecer esse livro e a autora. Mas estou muito feliz que a Suma já anunciou e já lançou pra pré-venda A Assombração da Casa da Colina, a ser lançado ainda esse semestre.


Shirley Jackson
Suma de Letras - 2017
200 páginas
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